“IMPRENSA É OPOSIÇÃO. O RESTO É ARMAZÉM DE SECOS E MOLHADOS” disse sabiamente Millôr Fernandes, um dos pensadores que melhor explicou o Brasil.
Vendo essa insanidade geral que tomou conta do país nos
últimos tempos, fico admirando os xingamentos e posicionamentos radicais de
amigos, conhecidos, desafetos e desconhecidos.
Os que são contra o Impeachment dizem que a Rede Globo tem
um poder divino, capaz de mudar a realidade como uma Matrix; outros acusam a
Veja de poder modificar, através das suas páginas (a serviço dos "coxinhas" e da "Dona Zelite"), os fatos e as fotos dos acontecimentos.
Coisa de uns poucos anos atrás, quem era oposição lia Veja e
quem apoiava o governo lia a Isto É e acusava os leitores de Veja de serem
todos alienados e manipulados porque não concordavam que vivíamos nos melhores
tempos e no melhor país do mundo.
Agora a Isto É também faz a crítica ao que está acontecendo
(nesta semana com um excelente texto sobre o terrorismo oficial e a
transformação do Palácio do Planalto em palanque eleitoral) e o que me dizem os
que antes se guiavam por ela?
Que também entrou para a conspiração da Imprensa Golpista?
Ao longo dos anos trabalhei em jornais, agências de
publicidade e participei de campanhas políticas. Nunca trabalhei em fábrica de
alimentos. Mas aprendi um velho adágio que diz que “jornal, política e
linguiça, se soubessem como era feito, ninguém comprava”.
Então, caros amigos e caras amigas, não existe imprensa isenta: o dono do
veículo tem sua opinião e o jornal ou revista a reflete. Eles não são o
Evangelho nem o Corão. A gente lê, se informa, forma a própria opinião e
concorda ou discorda.
Uma vez Chateaubriand chamou um repórter e disse que a matéria
dele estava muito boa mas não seria publicada, pois ia de encontro à opinião do
jornal.
O jornalista respondeu que era a sua opinião e que ele não a
modificaria.
Chateaubriand respondeu: “Concordo com você, também defendo
a minha opinião e por isso sou o dono do jornal. Se você quer publicar sua
opinião, seja dono do seu próprio jornal”.
Atualmente, com um smartphone, tablet ou computador, todos têm na ponta dos dedos o seu próprio jornal.
Este é o meu.
Atualmente, com um smartphone, tablet ou computador, todos têm na ponta dos dedos o seu próprio jornal.
Este é o meu.
Boa leitura!
