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domingo, 10 de abril de 2016

“IMPRENSA É OPOSIÇÃO. O RESTO É ARMAZÉM DE SECOS E MOLHADOS”




“IMPRENSA É OPOSIÇÃO. O RESTO É ARMAZÉM DE SECOS E MOLHADOS” disse sabiamente Millôr Fernandes, um dos pensadores que melhor explicou o Brasil.

Vendo essa insanidade geral que tomou conta do país nos últimos tempos, fico admirando os xingamentos e posicionamentos radicais de amigos, conhecidos, desafetos e desconhecidos.

Os que são contra o Impeachment dizem que a Rede Globo tem um poder divino, capaz de mudar a realidade como uma Matrix; outros acusam a Veja de poder modificar, através das suas páginas (a serviço dos "coxinhas" e da "Dona Zelite"), os fatos e as fotos dos acontecimentos.

Coisa de uns poucos anos atrás, quem era oposição lia Veja e quem apoiava o governo lia a Isto É e acusava os leitores de Veja de serem todos alienados e manipulados porque não concordavam que vivíamos nos melhores tempos e no melhor país do mundo.

Agora a Isto É também faz a crítica ao que está acontecendo (nesta semana com um excelente texto sobre o terrorismo oficial e a transformação do Palácio do Planalto em palanque eleitoral) e o que me dizem os que antes se guiavam por ela?

Que também entrou para a conspiração da Imprensa Golpista?

Ao longo dos anos trabalhei em jornais, agências de publicidade e participei de campanhas políticas. Nunca trabalhei em fábrica de alimentos. Mas aprendi um velho adágio que diz que “jornal, política e linguiça, se soubessem como era feito, ninguém comprava”.

Então, caros amigos e caras amigas, não existe imprensa isenta: o dono do veículo tem sua opinião e o jornal ou revista a reflete. Eles não são o Evangelho nem o Corão. A gente lê, se informa, forma a própria opinião e concorda ou discorda.

Uma vez Chateaubriand chamou um repórter e disse que a matéria dele estava muito boa mas não seria publicada, pois ia de encontro à opinião do jornal.

O jornalista respondeu que era a sua opinião e que ele não a modificaria.

Chateaubriand respondeu: “Concordo com você, também defendo a minha opinião e por isso sou o dono do jornal. Se você quer publicar sua opinião, seja dono do seu próprio jornal”.

Atualmente, com um smartphone, tablet ou computador, todos têm na ponta dos dedos o seu próprio jornal.

Este é o meu.


Boa leitura!